Vazio…

18 11 2008

No Domingo faleceu mais uma pessoa extremamente importante da minha vida… Há aquelas pessoas que morrem e, não é passar ao lado, mas que passado algum tempo já são apenas uma memória ténue, uma neblina na nossa mente, não porque as pessoas nos eram indiferentes, mas porque assim é o ritmo da vida… Mas quando se trata de uma pessoa que significou mesmo muito na nossa vida, que contribuiu para o nosso crescimento e enriquecimento como pessoa, essa morte fica-nos gravada como um ferro em brasa na pele… Não há uma única vez que eu não entre numa igreja e não chore… Não por ser católica ou acreditar em Deus, mas sim por me lembrar dessas pessoas tão importantes que faleceram… Eu ía à igreja com a minha avó (ela quase que me arrastava e penso que foi uma desilusão para ela ser a herege que sou hoje em dia) e, aquilo que na altura era um tormento para mim, hoje são momentos que guardo com extremo carinho, bem como ela a fazer as filhós, ou como me confortou quando eu tinha uns 9 anos e a minha bisavó faleceu… Já o meu primo lembro-me exactamente do contrário, de irmos à missa e só fazermos asneiras, da minha avó nos repreender, de só fazermos asneiras em casa, de andarmos a “caçar” osgas com os cartuchos e as pistolas feitas dos tubos dos cabos eléctricos, das cabanas que fazíamos em casa da avó, de dormirmos na varanda, do seu sorriso enorme (que por causa desse mesmo sorriso, ganhou a alcunha carinhosa de “Boca de Sapato Velho”)…

No Domingo faleceu a minha “tia”… Digo “tia” porque não o era de sangue, mas eu assim a considerava! Uma pessoa de quem me lembro desde a minha primeira memória do meu ser. Lembro-me dos biberons com nestum na cama, dos iogurtes naturais caseirinhos, das tardes na piscina, das nossas longas conversas, de como me aturou muitas crises… E aqui estou eu em Espanha, sem sequer poder prestar-lhe uma última homenagem, dar-lhe um último adeus, longe de todas aquelas pessoas que me conhecem e que partilham comigo a mesma dor … É difícil… E é nestas alturas que me arrependo de ter vindo… É nestas alturas que custa mais estar longe de tudo e de todos, onde nem sequer uma missa é dada na nossa língua…

O texto não é meu, mas as palavras são sentidas com a mesma dor, e eu não o conseguiria escrever de melhor maneira…

“Março.
Mês número três.
Dois mil e oito é ainda tão novo, e já levou em apenas três meses de vida, quatro pessoas que gosto muito.
Sim, gosto.
Não é por irem embora que passo de ‘gosto’, a ‘gostei’.
Gosto.
E continuo a gostar.
Já não me recordo se escrevi aqui. Acho que sim.
Mas, repito: Todas as pessoas que passam na nossa vida levam um pouco de nós, e nós ficamos com um bocadinho delas.
Todos os seres humanos que passam na nossa vida não passam por passar.
Há um propósito, e seja ele qual for… ele ‘É’. E mais cedo ou mais tarde, sentimos esse ‘É’, seja na cabeça, seja no coração. Mas, sentimos!
Quando temos uma tristeza procuramos no passado algo que nos reconforte, algo que nos anime, alguma ideia, uma ou outra solução, ás vezes até uma frase de alguém que um dia ouvimos… que serve de alerta, de farol.
Tive três pessoas muito importantes na minha vida, naquela fase em que estamos a moldar a nossa identidade, naquela fase em que já não somos crianças mas, ainda não somos adultos, naquela fase em que temos medo de tudo, mas somos verdadeiramente destemidos para enfrentar as coisas de frente…sem medir o perigo, naquela fase em que o dia de amanhã parecia muito longe, naquela fase em que as veias são criadas e o coração acelera a cada mudança radical.
Naquelas fase em que criamos a nossa estrutura, aquela que nos fixa para sempre à terra enquanto pessoas que somos.
Todos os dias recordo essas duas pessoas.
Sinto saudades, muitas.
Mas, não troco essas saudades, pelo desconhecido.
Não troco nunca essas saudades, pela ausência total desses seres humanos nos meus dias.
Todas as pessoas têm saudades.
É um facto histórico, emocional e dizem os entendidos que antes disso tudo é um facto social.
Não sei.
O que eu sei é que a saudade é a palavra mais portuguesa de Portugal.
E se há um sentimento ao acordar, esse sentimento é a saudade.
Já falei aqui do meu avô.
Já falei aqui do Carlos.
Hoje falo de uma outra pessoa…
Acolheu-me aos treze anos e aturou-me até aos dezasseis.
Aturou-me naquela chamada fase estúpida.
Aturou a minha estranheza, estranheza essa que alguns não suportavam.
Ainda sinto o cheiro das torradas.
O seu cabelo grisalho.
O cadeirão em frente da velha televisão.
O sorriso.
Era tão pequenina, que eu conseguia pegar-lhe ao colo e dar meia volta, com ela sempre a resmungar para lhe colocar no chão.
Um dia dei-lhe um abraço muito forte, e disse-lhe obrigado por ter sido minha mãe naqueles dias.. e foram tantos dias mas, ela já não se lembrava de mim.
Já no fim da doença ela fez aquele gesto que eu costumava fazer-lhe.. o rodopio.
Já não falava mas, aí eu senti que ela lembrou-se e choramos as duas num longo abraço.
Foi o ano passado, e as pereiras estavam em flor.
Hoje foi embora.
Tenho saudades.
Perguntaram-me:
“Porque estás nesse estado.. ??? Recompõem-te.”
Ao que respondi:
“Porque naquela idade parva não foi contigo que eu estive, foi com ela que a minha estranheza viveu.”
Hoje choro duas mortes.
Quem sabe, até três.
Amanhã é outro dia. E isto tudo faz parte da vida.
Mas, mais que me apetecer, precisava de desabafar.
Boa semana.
E que rodopiem muito. ‘Chamem’ por aquelas pessoas que gostam, ‘peguem’ nelas ao colo e digam simplesmente… “obrigado por fazeres parte do meu metro quadrado”.
E mesmo que elas não entendam hoje.
Certamente que amanhã irá surgir esse sentir.”

in: “De Pernas Para o Ar

Onde quer que vocês estejam, espero que estejam finalmente em paz… Uma estrela mais acendeu-se no céu, e eu vou olhar também para ela todas as noites!





Si tú no estás aquí…

6 11 2008

Rosana – “Si Tu No Estás Aquí

No quiero estar sin ti

Si tú no estás aquí me sobra el aire
No quiero estar así
Si tú no estás la gente se hace nadie

Si tú no estás aquí no sé
Que diablos hago amándote
Si tú no estás aquí sabrás
Que Dios no va a entender por qué te vas

No quiero estar sin ti
Si tú no estás aquí me falta el sueño
No quiero andar así
Latiendo un corazón de amor sin dueño

Si tú no estás aquí no sé

Que diablos hago amándote
Si tú no estás aquí sabrás
Que Dios no va a entender por qué te vas

Derramaré mis sueños si algún día no te tengo
Lo más grande se hará lo más pequeño
Pasearé en un cielo sin estrellas esta vez
Tratando de entender quién hizo un infierno el paraíso
No te vayas nunca porque

No puedo estar sin ti
Si tú no estás aquí me quema el aire

Si tú no estás aquí no sé

Que diablos hago amándote
Si tú no estás aquí sabrás
Que Dios no va a entender por qué te vas

Si tú no estás aquí…





You know that you’re a real Erasmus when…

4 11 2008

– you do things that you would never do in your hometown.

– you don’t want to show your latest partypictures to anyone that’s not an Erasmus.

– “spending the day at uni” means a day spent in front of your mail, msn and facebook.

– not even 30 calls from the neighbours and a visit from the police can keep you from having another big party. You just move and change neighbours!

– you came to your Erasmus-country wanting to find new friends among “the locals”, but soon realised that the other Erasmuses are more fun.

– the people you just know by your own made up nicknames, such as “the hunk, the pop-guy, Hi5, barefootman…” etc are people you absolutely want to invite to your birthdayparty.

– most of your time is spent preparing for or recovering from a night out.

– you to everyone proudly present old silly songs from you home country, claiming that its a classic…without being embarrassed.

– you no longer care whether it’s monday or friday – it’s still partynight!

– you recognize people saying hi to you in the street thanks to the pictures you took last night.

– you refer to everything as before or after a certain Erasmus-event.

– you know that nothing is better than a night out at the erasmus pubs and clubs – although your friends complain about always going to the same places…

– you kiss anyone and anything without bothering about the consequences (good or bad).

– you blame all your bad behaviour on the fact that you’re an Erasmus.

– you do a test to measure your consume of alcohol and get serioulsy worried about your health.

– you know that the time of your life is now!

Não fui eu que escrevi isto, mas a maior parte é a mais pura realidade!!!! AHAHAHAH 😉

Just for fun! 😛





Cena de Erasmus

4 11 2008

Pois é, este vídeo é só para verem como nós nos alimentamos bem!!!! 😉 Peixinho, espinafres, tomate e arroz!!! Claro que foi bem regado (já não me lembro bem pelo quê, mas quase de certeza que foi por cerveja. De qualquer maneira, a alimentação é o mais importante!!! 😉

Hope you like it!!! 😛





Factos de/em Almería

4 11 2008

Decidi fazer uma pequena compilação de todos os factos de e em Alméria:

– São os piores condutores que já vi em toda a minha vida! Senão vejamos: traços contínuos? A partir do momento em que vi uma professora de condução mandar um aluno ultrapassar um carro num traço contínuo, já nem acredito na existência deste… Mas há mais: semáforos vermelhos?? A maior parte serve apenas para dar passagem aos peões, caso contrário, quase não existem! Proibição de virar à direita? Também é algo que quase não existe… Se não vêm carros porque raio não hei-de poder virar à direita???

– Está sempre qualquer coisa em obras, isso é certinho!!!

– Tudo, MAS TUDO, é feito com uma lentidão que até arrepia!!! Até para receberem o pagamento estes gaijos demoram!!!

– A maior parte das pessoas (e aqui refiro-me a ambos os sexos!!!) são feias e “pacóvias”! Senão passo a explicar: TODAS as raparigas usam uma franja (ou “marrafa” como diz a Bé e a Fi! lol) milimetricamente cortada à régua!!! Se não têm franja, então têm-na apanhada atrás com um gancho, mas sempre levantada à frente! A moda das calças ao fundo do rabo nos rapazes aqui é levada ao extremo, ao ponto de nem a t-shirt conseguir tapar os boxers, de tão para baixo que estão as calças. O mais típico é ouvir-se um rapaz dizer a uma rapariga “logo de giz”: “Eh chica: quieres follar?” e, caso a rapariga diga que não então saem-se com um “entonces chupame!”… Sempre do mais puro nível! As raparigas também têm o espectacular hábito de calçarem sapatos com 15 cm de altura, se for preciso, mas antes de chegarem aos bares levam calçados os chinelos de quarto e, quando chegam um pouco antes do bar, descalçam-se e calçam os sapatinhos “piriris”! Depois é vê-las abanarem-se todas em cima dos saltos, que mal sabem andar! Ou então, independentemente de serem bem ou mal feitas, gordas ou magras, com ou sem celulite, WHATEVER, usam mini-saias que a minha querida avó apelida de CINTOS (aliás, EU PRÓPRIA chamo aquilo um cinto!!!) ou uns calções curtíssimos que deixam, qualquer um dos dois, ver as cuecas (sim, cuecas, porque nenhuma delas sabe o que são tangas e usam mesmo “cueconas da avó”! Enfim… Istó é só uma pequena amostra! AHHhH!!!! Uma mais: os carros parecem verdadeiras discotecas ambulantes!!! O som sempre em altos berros e com música espanhola, pois claro!!!!

– Por falar em música, nesta terra não se houve outra coisa senão música espanhola!!! Com excepção de dois ou três bares, TUDO O RESTO é música PIMBA espanhola… O que é engraçado porque até dá para rir quando começamos a ouvir Nelly Furtado e começamos a cantar e… TCHARAN!!!! A letra sai em espanhol!!!

– Mas nem tudo pode ser mau: estamos numa cidade em que a gasolina 95 sem chumbo custa 0,80€ e o diesel é mais caro (está a 1€ mais coisa, menos coisa!) e uma botija de gás custa 13,87€!

– Em contrapartida, um café na universidade custa 0,90€, nos cafés no mínimo 1,15€, uma cerveja num café 1,40€ e num bar 3€, uma refeição na cantina custa 5€ (contra os 2€ que custa em Portugal!!!) e pode-se ir “tapear” por 2€ uma caña e uma tapa que pode ser um bocado duma baguete com um ossito com um bocadinho de carne, ou 3 colheres de sopa de salada russa, por exemplo!

– “Com licença” e “Desculpe” são duas expressões que os espanhóis desconhecem e nem sequer conseguem ouvir… Parece que há um filtro qualquer que os impede de dizer e ouvir estas duas expressões, porque mesmo que estejamos atrás deles a gritar “PERDONNNNNN!!!” eles não se mexem!

– Penso que aqui são mais limpos que noutros cantos deste país. Pelo menos mais que uma vez ao dia passam carrinhos a limpar as estradas e os passeios, as pessoas quando vão passear os caezinhos levam quase sempre um saco atrás para apanhar os dejectos e muito raramente se vê lixo nas ruas, com excepção das zonas mais degradadas.

E assim de repente parece-me que é tudo, POR ENQUANTO!!! Penso que ainda há muito mais “pérolas” para descobrir nesta cidade! 😉

[*] a todinhos!!!